Vinicius Reis

Vinicius Reis é Program Manager de GenAI na Brasilseg (BB Seguros), atuando em projetos de inteligência artificial generativa, blockchain, inovação aberta e intraempreendedorismo. Engenheiro civil de formação, possui especialização em Administração de Empresas pela FGV. Com experiência em transformar desafios corporativos em soluções tecnológicas, também é conselheiro do IFL Jovem SP, instituto onde foi presidente e segue apoiando a formação de jovens lideranças.

O que são os Agentes de IA?

E aí, o ChatGPT é legal, né? Mas e se eu te dissesse que existe algo muito além? Imagine não só ter um sistema que entende o que você quer, mas que também aprende, se adapta e age por conta própria. Esse é o objetivo dos agentes de IA, que estão mudando completamente a nossa relação com a tecnologia, a forma como automatizamos tarefas e, principalmente, como pensamos nossos negócios.

Num mundo onde a IA avança a passos largos, surge uma pergunta que não quer calar: até que ponto podemos, ou devemos, confiar nas decisões de uma “máquina”? Essa é a questão central por trás de todo o desenvolvimento dos agentes de IA.

Pense neles como sistemas de computador que conseguem “enxergar” o ambiente, tomar decisões e executar ações para alcançar objetivos específicos. A grande diferença para um software comum é que esses agentes têm muito mais autonomia. Eles não precisam de um passo a passo detalhado. Em vez disso, são projetados para analisar situações novas, definir metas e agir por conta própria, sempre, é claro, dentro dos limites e objetivos que você, ou quem os programou, estabeleceu.

É essa autonomia que os torna tão diferentes. Eles não só respondem a comandos, eles entendem o contexto, planejam estratégias e agem de forma proativa. Estamos falando de um leque que vai desde simples executores de tarefas até sistemas mais sofisticados, capazes até de criar e rodar seu próprio código!

 

Cases reais

Várias empresas já estão usando agentes de IA em grande escala:

  • A Oracle, por exemplo, lançou em 2024 mais de 50 agentes integrados à sua plataforma Fusion Cloud. Um deles, o agente documental, agiliza processos de faturamento e cotações, cortando um tempão das aprovações financeiras.
  • O Microsoft Copilot expandiu sua atuação com o Copilot Studio, permitindo que empresas criem e usem seus próprios agentes de IA autônomos em plataformas como o Dynamics 365, focando em vendas e atendimento ao cliente.
  • E você já ouviu falar do AutoGPT ou da Manus AI? Eles são agentes que conseguem desenvolver e refinar tarefas por conta própria, a partir de um comando simples. Eles criam subtarefas, gerenciam prioridades e até usam ferramentas externas.

 

Como funciona na prática?

A maioria dos agentes de IA segue um ciclo básico: Pensamento → Ação → Feedback. É como funciona o nosso cérebro, mas para uma máquina. Um modelo de linguagem, tipo o GPT-4, recebe um objetivo, elabora um plano, executa uma ação (como buscar dados ou escrever um código) e depois analisa o resultado para continuar a operação.

Ferramentas como LangChain, LangGraph e CrewAI são a base para os desenvolvedores criarem agentes ainda mais robustos. Elas permitem organizar o trabalho com múltiplos agentes especializados, dividindo as responsabilidades entre diferentes módulos. Isso resulta em soluções mais resistentes, personalizáveis e escaláveis.

 

Startups e Agentes de IA

Não são só as gigantes que estão de olho. Startups no mundo todo estão na linha de frente do desenvolvimento de aplicações práticas e inovadoras com esses sistemas:

Em 2024, startups de IA captaram mais de US$ 170 bilhões globalmente. Aqui na América Latina, as brasileiras estão na liderança, com US$ 110 milhões investidos só no primeiro trimestre.

 

Casos de Sucesso

  • CloudWalk: Essa startup brasileira usa agentes de IA no setor financeiro, oferecendo crédito inteligente e negociação automatizada de taxas.
  • DigAí: Vencedora do Web Summit Rio 2025, se destaca pelo seu agente de atendimento ao cliente super personalizado.
  • DeltaAI: Especialista em jurimetria, aplica IA na gestão de litígios para departamentos jurídicos.
  • BotCity: Focada em automatizar processos corporativos repetitivos com agentes de IA.

 

O que podemos esperar mais?

  • Plataformas No-Code: Empresas como Zaia, CrewAI e NicoChat estão democratizando o acesso, permitindo que qualquer um, mesmo sem conhecimento técnico, crie seus próprios agentes.
  • IA Conversacional: Essa tecnologia está mudando como fazemos interação com os clientes, indo muito além dos chatbots tradicionais, com conversas mais específicas e respostas que se adaptam.
  • Investimentos Estratégicos: Em 2024, incríveis 37% dos aportes globais de Venture Capital foram para startups de IA. É muita grana!

 

Como aplicar Agentes de IA no seu negócio

Quer começar a usar agentes de IA na sua empresa? Siga esses passos:

  1. Identifique as tarefas repetitivas: Comece pelo básico. Pense em tudo que é administrativo, como enviar e-mails ou analisar dados.
  2. Escolha a ferramenta certa: Dê uma olhada em opções como LangChain, CrewAI ou outras soluções no-code que fazem sentido para você.
  3. Garanta acesso aos dados: Os agentes precisam se conectar a APIs, CRMs ou bancos de dados internos para funcionar bem.
  4. Monitore sem parar: Defina métricas claras de desempenho e faça revisões constantes.
  5. Atenção à ética e privacidade: Certifique-se de que a coleta e o uso de dados estejam sempre em dia com as regulamentações.

Os agentes de IA não estão apenas mudando a forma como executamos tarefas; eles estão nos forçando a repensar o trabalho, a produtividade e a própria inovação.

Como bem disse Garry Tan, CEO da Y Combinator, “2025 é o ano dos agentes de IA”. Isso não é um vislumbre do futuro distante, mas uma realidade que se desdobra agora, impactando diretamente o modo como trabalhamos e vivemos. O futuro pertence a quem souber unir tecnologia com propósito.

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